Resumo
Objetivou-se analisar, por meio de revisão narrativa da literatura, as contribuições da Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE®) como ferramenta de qualificação do Processo de Enfermagem no contexto da Estratégia Saúde da Família (ESF). Revisão narrativa realizada a partir de publicações nacionais indexadas em bases de acesso público, além de documentos técnico-normativos de referência sobre o tema, sem delimitação rígida de período, priorizando produções da última década. A síntese da literatura evidencia que a CIPE® favorece a padronização da linguagem profissional, amplia a visibilidade do cuidado de enfermagem, subsidia a construção de subconjuntos terminológicos direcionados à Atenção Primária à Saúde e fortalece a autonomia do enfermeiro nas etapas de coleta de dados, diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação. Entre as fragilidades identificadas estão a formação insuficiente para uso da terminologia, a sobrecarga de trabalho e a limitada informatização dos prontuários nas unidades básicas de saúde. Conclui-se que a CIPE® configura-se como instrumento estratégico para a qualificação do Processo de Enfermagem na ESF, sendo necessário investimento em capacitação continuada, em sistemas de informação interoperáveis e em pesquisas que validem subconjuntos terminológicos específicos para a Atenção Primária.
Referências
1. Conselho Internacional de Enfermeiros (CIE). CIPE® Versão 2019: Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem. Genebra: International Council of Nurses; 2019.
2. Crivelaro PMS, Fidelis FAM, Siviero MRS, Borges PFB, Gouvêa AHM, Papini SJ. O processo de enfermagem e classificação internacional para a prática de enfermagem (CIPE®): potencialidades na atenção primária. Braz J Dev. 2020;6(8):57358-73. https://doi.org/10.34117/bjdv6n8-241
3. Figueira MCS, Jacob LMS, Spazapan MP, Chiquetto L, Rolim ACA, Duran ECM, et al. Reflexões sobre a utilização da CIPE na prática profissional: revisão integrativa. Rev Enferm Aten Saude. 2018;7(2):43-57. https://doi.org/10.18554/reas.v7i2.2369
4. Alcantara AB, Lima L. Diagnósticos de enfermagem pediátrica na Atenção Primária à Saúde: revisão integrativa da literatura. Nursing (São Paulo). 2022;25(286):7470-85. https://doi.org/10.36489/nursing.2022v25i286p7470-7485
5. Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (COREN-SP). Aplicativo CIPE-APS: processo de enfermagem na atenção primária [Internet]. São Paulo: COREN-SP; 2023 [citado em 4 ago 2026]. Disponível em: https://portal.coren-sp.gov.br/aplicativo-cipe-aps/
6. Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). Guia de enfermagem da Atenção Primária à Saúde [Internet]. Brasília: SES-DF; [data desconhecida] [citado em 4 ago 2026]. Disponível em: https://www.saude.df.gov.br/guia-enfermagem-aps
7. Prefeitura Municipal de União da Vitória. Protocolo de enfermagem na Atenção Primária. Módulo 1: processo de enfermagem. União da Vitória: Secretaria Municipal de Saúde; 2023.
8. Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Tecnologias de sistematização da assistência de enfermagem a famílias na Atenção Primária à Saúde [Internet]. Campus Virtual de Saúde Pública [citado em 4 ago 2026]. Disponível em: https://www.campusvirtualsp.org/pt-br/tecnologias-de-sistematizacao-da-assistencia-de-enfermagem
9. Nóbrega RV, Nóbrega MML, Silva KL. Diagnósticos, resultados e intervenções de enfermagem para crianças na Clínica Pediátrica de um hospital escola. Rev Bras Enferm. 2011;64(3):501-10. https://doi.org/10.1590/S0034-71672011000300013
10. Fernandes MC, Silva LMS, Silva MRF, Torres RAM, Dias MSA, Moreira TMM. Identity of primary health care nurses: perception of “doing everything.” Rev Bras Enferm. 2018;71(Suppl 1):142-7. https://doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0163
11. Pereira JG, Oliveira MAC. Autonomia da enfermeira na Atenção Primária: das práticas colaborativas à prática avançada. Acta Paul Enferm. 2018;31(6):627-35. https://doi.org/10.1590/1982-0194201800087

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Direitos autorais (c) 2026 Global Collective Health Journal
