Resumo
A Atenção Primária à Saúde constitui o principal ponto de oferta das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) no Sistema Único de Saúde (SUS), mas seu processo de implantação permanece marcado por avanços desiguais e desafios estruturais. Objetivo: analisar os avanços e os desafios da implantação das PICS na Atenção Primária à Saúde no Brasil, à luz da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC). Metodologia: revisão narrativa da literatura, com busca em bases indexadas (SciELO, LILACS, PubMed) e documentos oficiais do Ministério da Saúde, publicados entre 2006 e 2026. Resultados e discussão: observou-se expansão progressiva da oferta de PICS via Estratégia Saúde da Família e Núcleos Ampliados de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB), impulsionada, em grande parte, pelo protagonismo individual de profissionais. Persistem, contudo, obstáculos relacionados à ausência de financiamento federal específico, à precariedade de infraestrutura e insumos, às lacunas na educação permanente, à fragilidade dos sistemas de registro e monitoramento e à resistência do modelo biomédico hegemônico. Considerações finais: a consolidação das PICS na atenção primária depende da superação de barreiras de financiamento, formação e gestão, bem como do reconhecimento institucional pleno dessas práticas como componente estruturante, e não complementar, do cuidado integral no SUS.
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